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A Preservação do Alcorão

Por: M. Yiossuf Adamgy (09.Fevereiro.2015 / 20.Rabial Akhir.1436)

In livro “Sobre o Alcorão” — Edição de Al Furqán (ver aqui: http://www.alfurqan.pt/index.php/montra-de-livros/islao-em-geral/sobre-o-alcorao-detail)

 

Existem, actualmente, centenas de religiões que prosperam um pouco por todo o Mundo: o Judaísmo, o Cristianismo, o Islão, o Budismo, o Siquismo, o Hinduísmo, o Bahaismo, o Babismo, o Zoroastrianismo, o Mormonismo, o Jainismo, o Confucianismo, as Teste-munhas de Jeovás, etc. E cada uma destas religiões reivindica que, as escrituras que defendem, são as mesmas desde o dia em que foram reveladas (escritas), até aos dias de hoje.

Uma crença religiosa é tão verdadeira como o é a autenticidade das escrituras que segue. E para que uma qualquer escritura possa ser tida como uma escritura que foi verdadeiramente preservada, esta tem que obedecer a determinados critérios concretos e racionais.

Imagine a seguinte cena: Um professor lecciona durante três horas seguidas. Suponha ainda que nenhum dos seus alunos memo-riza o que por ele foi dito ou escrito. Presentemente, quarenta anos depois dessa mesma aula ter sido dada, caso estes mesmos alunos decidam reproduzir na íntegra o discurso proferido pelo professor, palavra por palavra, conseguirão fazê-lo? Evidentemente que não! Isto porque, as duas únicas maneiras de preservar algo para a História, consistem na escrita e no poder da memória. Por conseguinte, a alguns daqueles que defendem que as escrituras que seguem se encontram no seu estado puro, torna-se-lhes necessário apresentar provas de que essa Escritura foi escrita no seu todo e completamente memorizada desde que foi revelada, até aos dias de hoje, numa sequência linear e ininterrupta. Caso o momento da memorização não coincida com o da escrita, agindo como se de uma verificação e de um equilíbrio se tratasse, então, existe a verdadeira possibilidade de que a escritura escrita possa ter perdido a sua pureza devido a interpolações intencionais e não intencionais resultantes de erros por parte dos escribas, a adulterações causadas por inimigos, as páginas que se decompuseram, etc., sendo que estes erros seriam concorrentemente incorporados nos textos subsequentes, levando a que, por fim, e ao longo do tempo, se perdesse a pureza inicial.

Presentemente, de todas as religiões atrás mencionadas, existe alguma que possua as suas escrituras completamente intactas desde o dia em que foram reveladas, até aos dias de hoje, TANTO na forma escrita, COMO em memória?

Nenhuma delas obedece a este critério, com excepção de uma: esta única escritura é o Alcorão – a revelação concedida ao último Profeta de Deus, Muhammad ﷺ há 14 séculos, e que se pretende ser uma orientação para toda a humanidade.

Analisemos, pois, a reivindicação da preservação do Alcorão.

 

O Profeta Muhammad ﷺ: O Primeiro Memorizador

Foi nesta sociedade “oral”, no ano de 570 D.C., que o Profeta Muhammad ﷺ nasceu em Meca. Aos 40 anos, o Profeta começou a receber as divinas Revelações do Deus Único, (ár. Allah), as quais lhe eram transmitidas por intermédio do Arcanjo Gabriel. Este processo de transmissão de divinas Revelações prosseguiu ao longo de aproximadamente 22 anos e meio, altura em que o Profeta faleceu.

Milagrosamente, o Profeta Muhammad ﷺ memorizou cada uma das revelações e tinha por hábito proclamá-la aos seus Companheiros. A cada ano, o Arcanjo Gabriel costumava avivar as memórias Alcorânicas do Profeta.

O Profeta ﷺ era a mais generosa das pessoas e tinha por hábito sê-lo ainda mais no mês do Ramadão, o que se devia ao facto de o Arcanjo Gabriel costumar visitá-lo a cada noite do mês de Ramadão, isto desde que este começava até ao momento em que terminava. O Anjo costumava recitar-lhe o Alcorão. Quando Gabriel o visitava, o Profeta ﷺ tornava-se ainda mais generoso, sendo mais rápido do que o próprio vento a praticar o bem”.[1]

Uma vez por ano, Gabriel costumava repetir a recitação do Alcorão juntamente com o Profeta (s.a.w.) mas, no ano em que este faleceu, repetiu-a duas vezes”. [2]

O próprio Profeta tinha por hábito permanecer acordado grande parte da noite, orando e recitando o Alcorão de memória.

 

Os Companheiros do Profeta: A Primeira Geração de Memorizadores

O Profeta Muhammad ﷺ encorajou os seus Companheiros (r.a.) a aprenderem e a ensinarem o Alcorão:

Os melhores de entre vós (Muçulmanos) são aqueles que aprendem o Alcorão e o ensinam”.[3]

Alguns dos Companheiros do Profeta que memorizaram o Alcorão foram: ‘Abu Bakr, Umar, Uthman, Ali, Ibn Masud, Abu Huraira, Abdullah bin Abbas, Abdullah bin Amir bin al-As, Aisha, Hafsa e Umm Salama”.[4]

Abu Bakr (r.a.), o primeiro Muçulmano do sexo masculino a converter-se ao Islão, tinha por hábito recitar o Alcorão publi-camente, em frente à sua casa, em Meca”.[5]

O Profeta Muhammad ﷺ ouvia também a recitação do Alcorão por parte dos seus Companheiros: “O Apóstolo de Allah (s.a.w.) disse-me o seguinte (Abdullah bin Mas’ud): “Recita-me o Alcorão”. Respondi-lhe: “Poderei eu recitar-to, quando este foi a ti revelado?, ao que ele respondeu: “Gosto de ouvir os outros a recitarem-no”. Assim sendo, recitei-lhe a Sura-an-Nissa, até que cheguei à parte que diz: «Que será deles quando Nós trouxermos uma testemunha de cada Povo e te trouxermos a ti (ó Muhammad), como testemunha contra todos eles?» (4:41). Nessa altura, ele disse: “Pára!”. Observei, então, que dos seus olhos escorriam lágrimas”. [6]

Muitos dos memorizadores do Alcorão (Qurra) foram contemporâneos do Profeta Muhammad ﷺ e, mais tarde, disseminaram-se por todo o mundo Islâmico de então.

Aquando da Batalha de Yamama, muitos dos memorizadores do Alcorão foram martirizados”. Zaid bin Thabit al Ansan, um dos que costumavam escrever as Revelações Divinas, refere o seguinte: Após as duras baixas sofridas pelos guerreiros que haviam participado na Batalha de Yamama, onde pereceram inúmeros memorizadores, Abu Bakr (r.a.) chamou-me à sua presença. Acompanhava-o Umar (r.a.), tendo-me sido dito o seguinte por Abu Bakr: “Umar procurou-me e disse que o povo sofreu duras baixas na Batalha de Yamama, motivo pelo qual receio que, em outros locais, possam vir a morrer mais Quarra (aqueles que memorizaram o Alcorão na íntegra)...”.[7]

Ao longo dos séculos da Era Islâmica, surgiram literalmente, e por todas as regiões do vasto império Muçulmano, milhares de escolas dedicadas exclusivamente ao ensino do Alcorão às crianças, e cujo objectivo consiste em que estas o memorizem. Em Arábico, é dado o nome de «katatib» (singular: «kuttab») a estas escolas. Diz-se que, o primeiro a ordenar a construção destas escolas, foi o Califa ‘Umar (r.a.) (634-44), aquando da época da grande expansão”.[8]

 

A Segunda Geração de Memorizadores

...as escolas Alcorânicas surgiram e estabeleceram-se um pouco por toda a parte. Como exemplo disto, posso referir um grande erudito Muçulmano, pertencente à segunda geração Muçulmana, Ibn ‘Amir, juiz de Damasco aquando do Califado de Umar ibn ‘Abd Al-Aziz. Diz-se que, na escola por ele fundada, existiam 400 discípulos, os quais tinham como missão o ensinamento do Alcorão aquando da sua ausência”. [9]

 

Os Memorizadores das Gerações Subsequentes

Só no Cairo, considerado individualmente, e numa determinada época, o número de Katatib e de escolas similares, ultrapassou as duas mil. [10]

Actualmente, tanto em países Muçulmanos, como em países não-Muçulmanos, existem centenas de escolas que têm como objectivo instruir centenas de alunos na arte de memorização de todo o Alcorão. Na própria cidade de Chicago, existem aproximadamente 40 Mesquitas, sendo que, muitas delas organizam grupos de crianças, de modo a instruí-las na arte de memorização do Alcorão. Em Portugal existe o Colégio Islâmico de Palmela onde se instrui também a arte de memorização do Alcorão.

 

Outros Pontos a ter em Consideração

- Os Muçulmanos recitam o Alcorão de memória em todas as suas cinco orações diárias.

- Uma vez por ano, durante o mês consagrado ao Jejum (o Ramadão), os Muçulmanos ouvem a recitação completa do Alcorão, dita por um Hafiz (Memorizador de todo o Alcorão).

- É tradição, entre os Muçulmanos, que, antes de qualquer discurso ou apresentação oral, casamento ou sermão, seja recitado algo do Alcorão.

Por conseguinte, o Alcorão é o único Livro existente à face da Terra, religioso ou secular, que tem sido memorizado na íntegra por milhões de pessoas ao longo dos tempos. A idade destes memorizadores varia entre os seis anos e idades mais elevadas, tanto têm como língua nativa o Arábico e o não-Arábico; como são brancos ou negros, orientais ou ocidentais, pobres ou ricos.

Assim sendo, trata-se de um processo de memorização contínuo, iniciado na época do Profeta Muhammad ﷺ e mantido até aos nossos dias, de maneira constante e ininterrupta.

O método de transmissão do Alcorão de uma geração à ou-tra, com os mais novos a memorizarem a recitação oral pro-ferida pelos mais velhos, atenuou, desde logo, o perigo maior decorrente de se apoiar unicamente em registos escritos...” refere John Burton. [11]

Este fenómeno de recitação Alcorânica significa que o texto sagrado atravessou os séculos através de uma sequência viva e ininterrupta de devoção. Consequentemente, o Alcorão não pode ser tido como uma coisa antiquada, ou um documento histórico ultrapassado, de um tempo distante. A Hifz (Memorização do Alcorão) fez do Alcorão algo actual, não obstante o lapso de tempo existente entre os princípios do Islão e o Mundo actual, concedendo-lhe um uso humano aplicável a todas as gerações, sem nunca permitir que este fosse relegado ao papel de uma simples autoridade sem qualquer valor, usado apenas como mera referência”, reflecte Kenneth Cragg.[12]

 

A Versão Escrita do Alcorão

O Profeta Muhammad ﷺ era muito cauteloso no que respeita à preservação escrita do Alcorão, vigiando-a desde que esta teve início, até à revelação final. O próprio Profeta era um iletrado, não sabia ler nem escrever. Por conseguinte recorreu a inúmeros escribas para que escrevessem a revelação por ele recebida. Assim sendo, todo o Alcorão existiu enquanto documento escrito durante o período de vida do Profeta .

Sempre que uma nova revelação lhe era enviada, o Profeta ﷺ chamava imediatamente um dos seus escribas, para que este a escre-vesse.

Pessoas houve que visitaram Zaid Ibn Thabit (um dos escribas do Profeta), e que lhe pediram para que contasse histórias a respeito do Mensageiro de Allah. A isto, ele respondeu: “Eu era seu vizinho e, quando a inspiração o assaltava, chamava-me, eu ia e escrevia o que lhe havia sido revelado...”.[13]

Referido por al-Bara: Foi revelado o seguinte: «Os crentes que, sem razão fundada, permanecem sentados (em suas casas), excepto os inválidos, jamais se igualarão àqueles que sacrificam os seus bens e pessoas pela causa de Allah; Ele concede maior dignidade àqueles que sacrificam os seus bens e pessoas, do que aos que permanecem sentados (em suas casas). Embora a todos (com fé) Allah prometeu o bem; e Allah sempre confere, aos que sacrificam, uma recompensa superior à dos que permanecem sentados (em suas casas)» (4:95). O Profeta (s.a.w.) disse: “Chamem-me Zaid e digam-lhe que traga a tábua, a tinta e os ossos de escápula”. Em seguida, o Profeta disse: “Escreve: Não são iguais aqueles que acreditam...”[14]

Diz-se que Zaid (r.a.) referiu o seguinte: “Costumávamos compilar o Alcorão a partir de pequenos fragmentos, isto na presença do Apóstolo”.[15]

Enquanto permaneceu em Medina, o Profeta (s.a.w.) tinha cerca de 48 escribas que costumavam escrever para ele”.[16]

Abdulla Ibn ‘Umar (r.a.) conta que...”O Mensageiro (s.a.w.) de Allah disse-nos: “Não levem o Alcorão convosco quando viajarem, pois receio que caia nas mãos do inimigo”.[17]

Aquando da última Peregrinação do Profeta (s.a.w.), este proferiu um sermão em que disse: “Deixo convosco algo que, caso abracem, nunca permitirá que caiam em erro – deixo-vos uma indicação clara, o Livro de Deus (Alcorão) e os usos e costumes do Seu Profeta ...”[18]

Para além dos manuscritos oficiais do Alcorão que se encontravam na posse do Profeta (s.a.w.), muitos dos seus Companheiros possuíam as suas próprias cópias escritas da revelação”.[19]

Uma lista de Companheiros dos quais se diz possuírem as suas próprias cópias escritas, inclui os seguintes nomes: Ibn Mas’ud, Ubay bin Ka’b, Ali, Ibn Abbas, Abu Mussa, Hafsa, Anas bin Malik, Umar, Zaid bin Thabit, Ibn Al-Zubair, Abdullah ibn Amr, Aisha, Salim, Umm Salama, Ubaid bin Umar”.[20]

De entre os Escribas do Profeta, os mais conhecidos são: Ibn Masud, Ubay bin Ka’b e Zaid bin Thabit”.[21]

Após o falecimento do Profeta (s.a.w.), ‘Aisha e Hafsa, (r.a.), suas esposas, possuíam os seus próprios registos escritos”.[22]

Todo o Alcorão foi escrito na presença do Profeta por vários dos seus escribas e os seus Companheiros possuíam as suas próprias cópias do Alcorão, isto ainda durante o período de vida do Profeta (s.a.w.). Contudo, o material escrito do Alcorão que se encontrava na posse do Profeta não se encontrava limitado pelas duas capas que compõem um livro, isto porque, o período durante o qual se deu a revelação do Alcorão, prosseguiu ininterruptamente, terminando apenas alguns dias antes da morte do Profeta ﷺ. Por conseguinte, a tarefa de recolher o Alcorão enquanto livro pertenceu a Abu Bakr (r.a.), o primeiro sucessor do Profeta Muhammad (s.a.w.).

 

O Registo Escrito do Alcorão durante a Primeira Geração

Aquando da Batalha de Yamama (633 D.C.), seis meses após a morte do Profeta (s.a.w.), perderam a vida inúmeros Muçulmanos que haviam memorizado o Alcorão. Assim sendo, receou-se que, a menos que existisse uma cópia oficial escrita do Alcorão, muita da revelação pudesse estar perdida para sempre.

Zaid bin Thabit al-Ansari, um dos escribas da Revelação, refere o seguinte: após as duras baixas sofridas pelos guerreiros que haviam participado na Batalha de Yamama, onde pereceram inúmeros Qurra (memorizadores do Alcorão), Abu Bakr chamou-me à sua presença. Acompanhava-o Umar, tendo-me sido dito o seguinte por Abu Bakr: “Umar procurou-me e disse que o povo sofreu duras baixas na Batalha de Yamama, motivo pelo qual receio que, em outros locais, possam vir a morrer mais Quarra. Se assim acontecer, uma grande parte do Alcorão poderá estar perdida para sempre, a menos que tu o reunas num manuscrito ou num livro... em seguida, Abu Bakr disse-me o seguinte (a mim, Zaid bin Thabit): és um rapaz jovem e sensato, que merece a nossa confiança. Sabemos que não mentirás nem omitirás nada. E sabemos também que tinhas por hábito escrever a Divina Inspiração para o Apóstolo de Allah. Assim sendo, procura o Alcorão e reúne-o num manuscrito”...Por conseguinte, comecei a recolher material referente ao Alcorão e a reuni-lo a partir de pergaminhos, ossos, pecíolos de tamareiras e da memória de alguns homens que o sabiam de cor...[23]

Desta forma, foi formado um grupo, grupo esse que tinha como missão reunir sob a forma de um livro todo o material escrito existente relativo ao Alcorão. O líder dessa comissão era Zaid bin Thabit (r.a.), o primeiro escriba do Profeta Muhammad (s.a.w.), e que era também um memorizador do Alcorão.

...Zaid bin Thabit memorizara, na íntegra, todo o Alcorão...”[24]

Os compiladores deste grupo, ao examinarem o material escrito existente que lhes era apresentado, insistiam em critérios demasiado exigentes, critérios esses que tinham como objectivo salvaguardar o resultado final de possíveis erros:

1. O material apresentado deveria ter sido originalmente escrito na presença do Profeta (s.a.w.); nada escrito depois, tendo por base apenas a memória, era aceite. [25]

2. O material deveria ser corroborado por duas testemunhas, ou seja, era suposto que duas pessoas de confiança testemunhassem terem ouvido, elas próprias, o Profeta a recitar o trecho em questão.[26]

O manuscrito que reunia a compilação final de todo o Alcorão ficou, inicialmente, com Abu Bakr, até ao momento em que Allah o chamou a Si; posteriormente, passou para a posse de Umar (o segundo sucessor), até que Allah o chamou a Si e, finalmente, ficou com Hafsa, filha de ‘Umar (e esposa do Profeta ﷺ )”.[27]

Esta cópia do Alcorão, elaborada por um grupo de Companheiros competentes do Profeta (s.a.w.), e que incluía memorizadores do Alcorão, foi aprovada unanimemente por todo o mundo Islâmico. Caso este grupo tivesse cometido um único erro, inclusive na transcrição do Alcorão para um único idioma, os Qurra (memorizadores do Alcorão), os quais eram às dezenas de centenas, tê-lo--iam encontrado imediatamente e corrigido. É precisamente aqui que entra em cena a verificação metódica e o sistema equilibrado de preservação do Alcorão, e que falta a qualquer outra escritura para além do Alcorão.

 

A Cópia Oficial escrita durante o período do Califa Uthman (r.a.)

Inicialmente, o Alcorão foi revelado no dialecto árabe Coraixita. Mas, para facilitar a sua compreensão e entendimento por parte de outros povos, os quais falavam outros dialectos, foi compilado o Alcorão em sete dialectos árabes. Durante o período do Califado de Uthman (r.a.) (o segundo sucessor do Profeta) as diferenças na leitura do Alcorão entre as diferentes tribos tornaram-se óbvias, o que se devia às diferentes recitações dialécticas. Aumentavam as disputas entre as diferentes tribos, visto cada uma delas reivindicar que era a sua, a recitação correcta. Isto alarmou Uthman, que elaborou uma cópia oficial no dialecto Coraixita, o dialecto em que o Alcorão foi revelado ao Profeta (s.a.w.) e memorizado pelos seus Companheiros (r.a.). Contudo, esta compilação do Alcorão levada a cabo pela Comissão de Uthman não é uma versão diferente da do Alcorão original (ao contrário das versões Bíblicas), mas a mesma revelação inicial confiada ao Profeta pelo Deus Único.

Anas bin Malik (r.a.) refere o seguinte: “No momento em que os povos de Sham (Síria) e do Iraque se encontravam em guerra, tendo como objectivo a conquista da Arménia e do Azerbeijão, Hudhaifa bin al-Yaman procurou Uthman. Os receios de Hudhaifa deviam-se às diferenças encontradas na recitação do Alcorão, motivo pelo qual disse a Uthman: “Ó líder dos Crentes! Salva esta nação, antes que esta comece a divergir no que respeita ao Livro (o Alcorão), como já antes o fizeram Judeus e Cristãos”. Assim sendo, Uthman enviou uma mensagem a Hafsa, dizendo: “Envia-nos os manuscritos do Alcorão, de modo a que possamos compilar os materiais Alcorânicos em cópias perfeitas e reenviar-tos”. Hafsa assim procedeu. ‘Uthman ordenou, então, a Zaid bin Thabit, ‘Abdullah bin Az-Zubair, Said bin Al-As e Abdur Rahman bin Harith que rescrevessem os manuscritos em cópias perfeitas. Uthman disse o seguinte aos três homens Coraixitas: “Caso discordem de Zaid bin Thabit em algum ponto do Alcorão, que o escrevam na vossa própria língua (Coraixita)”. Eles assim procederam e, quando já haviam escrito inúmeras cópias, Uthman enviou uma dessas cópias a cada uma das várias províncias Muçulmanas, ordenando que todos os outros materiais Alcorânicos existentes, cópias inteiras ou manuscritos fragmentados, fossem queimados...”[28]

Uma vez mais, critérios muito rigorosos foram instaurados por parte desta Comissão, de modo a impedir que qualquer alteração na Revelação pudesse vir a ocorrer:

1. O primeiro texto revisto (a primeira cópia da época de Abu Bakr) deveria servir de base principal para o novo texto que estava a ser preparado.[29]

2. Qualquer dúvida que pudesse surgir relativamente à linguagem usada numa passagem em particular da versão escrita, deveria ser dissipada, chamando-se para isso pessoas que, na aprendizagem da passagem em causa, tivessem sido ensinadas pelo próprio Profeta (s.a.w.). [30]

3. O próprio Uthman (r.a.) deveria supervisionar o trabalho do Conselho.[31]

Quando o trabalho foi dado por completo, Uthman enviou uma cópia da versão final às principais cidades de Meca, Damasco, Kufa, Basra e Medina.

A decisão de Uthman em queimar todas as outras cópias existentes, para além da da versão final, ainda que drástica, como é óbvio, foi para o bem e para a harmonia de toda a comunidade, tendo recebido a aprovação unânime de todos os Companheiros do Profeta.

Diz-se que Zaid bin Thabit disse o seguinte: “Vi os Companheiros de Muhammad (s.a.w.) a dizerem: Por Deus, Uthman agiu correctamente! Por Deus, Uthman agiu correctamente!”[32]

Um outro Companheiro muito estimado pelo Profeta (s.a.w.), Musab ibn Sad ibn Abi Waqqas (r.a.), disse o seguinte: “Assisti a uma grande afluência de pessoas à queimada promovida por Uthman das cópias prescritas do Alcorão, e todas elas estavam satisfeitas com a sua decisão; nenhuma ergueu a voz para o criticar”.[33]

Ali ibn Abu Talib (r.a.), primo do Profeta (s.a.w.) e o seu quarto sucessor, comentou: “Se fosse eu a liderar, e não Uthman, teria feito o mesmo”.[34]

Das cópias elaboradas por Uthman (r.a.), duas persistem ainda nos nossos dias. Uma, encontra-se na cidade de Tashkent (Uzbequistão). A outra, encontra-se em Istambul (Turquia). Apresenta-se, a seguir, uma breve descrição do sucedido a ambas as cópias:

1. A cópia que Uthman (r.a.) enviou para Medina foi levada pelas autoridades Turcas para Istambul, de onde seguiu para Berlim, aquando da I Guerra Mundial. O Tratado de Versalhes, tratado esse que pôs cobro à I Guerra Mundial, contém a seguinte cláusula:

Artigo 246: Dentro de seis meses, a contar da data da entrada em vigor do actual Tratado, a Alemanha restituirá a Sua Majestade, o Rei de Hedjaz, a cópia do Alcorão original escrita no tempo do Califa Uthman, a qual foi removida de Medina pelas autoridades Turcas e oferecida ao ex-Imperador William II”.[35]

Este manuscrito seguiu, então, para Istambul, mas não para Medina (onde encontra-se agora) ”.[36]

2. A segunda cópia existente permanece na cidade de Tashkent, Uzbequistão. “Pode ser o manuscrito Imame (mestre) ou uma das outras cópias feitas aquando do tempo de Uthman”.[37]

Esta segunda cópia chegou a Samarcanda no ano de 890 da Hégira (1485) e aí permaneceu até 1868. Depois, foi levada para São Petersburgo, pelos Russos, em 1869, onde permaneceu até 1917. Um orientalista Russo descreveu detalhadamente esta segunda cópia, afirmando que muitas das suas páginas haviam sido danificadas…. Um fac-símile de aproximadamente 50 cópias desta mushaf (cópia) foi levado a cabo por S. Pisareff, no ano de 1905. Uma das cópias foi enviada ao Sultão Otomano, ‘Abdul Hamid, outras, ao Xá do Irão, ao Emir de Bukhara, ao Afeganistão e a algumas personalidades Muçulmanas importantes. Uma das cópias encontra-se agora na Biblioteca da Universidade de Columbia (EUA).[38]

Mais tarde, o manuscrito regressou ao local onde anteriormente se encontrava, chegando a Tashkent em 1924, onde permanece desde então”.[39]

 

Conclusão

Duas das cópias do Alcorão originalmente elaboradas no tempo do Califa Uthman (r.a.), encontram-se ainda hoje disponíveis para nossa consulta, sendo que o seu texto e disposição podem ser comparados, por qualquer pessoa que o deseje fazer, com qualquer outra cópia do Alcorão, impressa ou manuscrita, independentemente do local onde esta cópia se encontra, ou do período de tempo a que pertence. Verificar-se-á que ambas as cópias são idênticas”.[40]

Pode-se agora proclamar, dadas as provas em cima apresentadas, com total convicção e certeza que o Profeta (s.a.w.) memorizou todo o Alcorão, que este foi escrito na sua presença, tarefa levada a cabo pelos seus escribas, que muitos dos seus Companheiros memorizaram toda a revelação na íntegra e possuíam, por seu turno, as suas próprias cópias para recitação e contemplação. Este duplo processo de preservação do Alcorão, através da escrita e da memorização, prolongou-se pelas gerações subsequentes, até chegar aos nossos dias, sem que nenhuma interpolação ou corrupção deste Livro Divino ocorresse.

Sir William Muir, um Orientalista do século XIX, afirma o seguinte: “Provavelmente, não existe nenhum outro livro no Mundo que tenha preservado semelhante pureza durante doze séculos (agora catorze) ”.[41]

A protecção divina proporcionada ao Alcorão, a Última Orientação Revelada à Humanidade, é proclamada pelo Deus Único no Alcorão:

«Nós revelamos a Mensagem e somos o Seu Preservador»[42] – (Capítulo 15, Versículo 9).

(“Nós” é o plural de Majestade, e não o plural Cristão usado para se referir à Trindade).

Compare esta preservação divina e histórica do Alcorão com qualquer obra literária, seja ela religiosa ou secular. Tornar-se-á evidente que nenhuma outra possui semelhante protecção miraculosa. E, conforme o inicialmente referido, uma crença é tão verdadeira como o é a escritura que segue. E, se uma qualquer escritura não se encontra preservada, que certezas podemos nós ter de que a crença nela baseada é de origem Divina ou fabricada pelo ser humano? E, se não estamos certos no que respeita à própria crença, então, a nossa salvação no Além encontra-se comprometida.

Consequentemente, as provas atrás citadas da protecção do Alcorão relativamente a qualquer corrupção, constitui um forte aviso da sua origem Divina. Pedimos a todas as pessoas de coração aberto para lerem, compreenderem e viverem o Alcorão, o “Manual para a Humanidade”. Bem-vindos ao Islão ... .



[1] - Referido por Ibn Abbas (r.a.), coligido em Sahih Al-Bukhari, 6.519.

[2] - Referido por Abu Hurayrah (r.a.), coligido em Sahih Al-Bukhari, 6.520.

[3] - Referido por Uthman bin Affan (r.a.), coligido em Sahih Al-Bukhari, 6.546.

[4]- Jalal al-Din Suyuti, ‘Al-ltqan fi-ulum al-Quran, Vol. I, pág. 124.

[5] - Ibn Hisham: Sira al-nabi, Cairo, sem data, Vol. I, pág. 206.

[6]- Bukhari, 6.106.

[7]- Bukhari, 6.201.

[8]- (Labib as-Said, The Recited Koran, traduzido por Bernard Weiss, M.A. Rauf, e Morroe Berger, The Darwon Press, Princeton, New Jersey, 1975, pp. 58).

[9]- [Ibn al Jazari, Kitab al-Nash fi al-Qirát al-Ashr, (Cairo, al-Halabi, sem data, Vol. 2, pág. 254) e Ahmad Makki al-Ansari, al-Difa’ An al-Qur’an, (Cairo, Dar al-Maárif, 1973 D.C.), parte I, pág. 120].

[10]- (Labib as-Said, The Recited Koran, traduzido por Bernard Weiss, M.A. Rauf, e Morroe Berger, The Darwon Press, Princeton, New Jersey, 1975, pp. 59).

[11]- (John Burton, An Introduction to the Hadith, pág. 27. Edinburgh University Press: 1994).

[12]- (Kenneth Cragg, The Mind of the Qur’an, pág. 26. George Allah & Unwin: 1973).

[13]- Tirmidhi, Mishkat al-Masabih, N.º 5823.

[14]- Bukhari, 6.512.

[15]- Suyuti, Itqan, I, pág. 99.

[16]- M. M. Azami, Kuttab al-Nabi, Beirute, 1974.

[17] - Muslim, III, N.º 4606, e também 4607, 4608; Bukhari, 4.233.

[18] - Ibn Hisham, Sira al-nabi, pág. 651.

[19]- Suyuti, Itqan, I, pág. 62.

[20] - Ibn Abi Dawud: Masahif, pág. 14.

[21]- Bayard Dodge: A Tenth Century Survey of Muslim Culture, Nova Iorque, 1970, pp. 53-63 The fihrist of al-Nadim.

[22] - Muwatta Imam Malik, Lahore, 1980, N.º 307, 308, traduzido por M. Rahi-muddin.

[23]- Bukhari, 6.201

[24]- Labib as-Said, The Recited koran, traduzido por Bernard Weiss, et al., 1975, pág. 21.

[25]- Ibn Hajar, Fath, Vol. IX, pág. 10.

[26] - Ibidem, pág. 11.

[27]- Bukhari, 6. 201.

[28] -Bukhari, 6. 510.

[29]- Ibn Hajar, Bath, Vol. IX, pág. 15.

[30]- Suyuti, Itqan, Vol. I, pág. 59.

[31]- Ibidem, pág. 59.

[32]- Naysaburi, al-Nizam al-Din al-Hasan ibn Muhammad, Ghara’ib al-Quran wa-ragha’ib al-furqan, 4 vols. A datar. Cairo, 1962.

[33]- Ibn Abi Dawud, pág. 12 .

[34] - Zarkashi, al-Badr al-Din, Al Burhan fi-ulum al-Quran, Cairo, 1957, Vol. I, pág. 240.

[35]- Fred L. Israel, Major Peace Treaties of Modern History, Nova Iorque, Chelsea House Pub., Vol. II, pág. 1418.

[36]- Makhdum, op. cit., 1938, pág. 19.

[37]- Ahmad Von Denffer, Ulum Al-Qur’an, Islamic Foundation, ed. revista, 1994, pág. 63.

[38]- The Muslim World, Vol. 30, 1940. pp. 357- 8.

[39]- Ahmad Von Denffer, Ulum Al-Qur’an, Islamic Foundation, ed. revista, 1994, pág. 63.

[40]- Ibidem, pág. 64.

[41]- Sir William Muir, Life of Muhammad, Vol. I, Introduction.

[42] - A pureza do Texto do Alcorão, ao longo dos quatorze séculos, constitui a prelibação do desvelo eterno com o qual a Verdade de Deus é guardada por todas as eras. Toda a corrupção, a invenção e a criação passarão, mas a Verdade pura e sagrada de Deus jamais será eclipsada, não obstante grande parte do mundo zombe dela e diligencie no sentido de destruí-la.





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